terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Asas, ou Demônio que virou anjo.



As minhas asas de poder voar
Abertas, negras e grandes.
Estranho corvo no céu,
Pássaro negro gigante.
Batiam tão firmes,
O quanto bateram minhas asas...
Causei tanto medo e angustia
Voando por sobre as casas.
Porem um dia,
Ah! Que dia maldito
Cruzei com um belo anjo
O quão era aquele anjo bonito
Descuidei-me
Ela assustada e eu admirado
Chocamos-nos no ar
Caiamos girando numa dança sem passos
Consegui aliviar um pouco a queda
Bati as asas no ar
Mas soltei a mão dela
A queda tão brusca
Quebrou sua asa tão bela
Tentei ajudar
Mas ela chorava e gritava
Não me deixou examinar
E me expulsou as pedradas
Insistiu em tentar voar
Mal ficava de pé
Em seu desequilíbrio caiu
Gritou quando me viu
Eu pedia pra se calar
Ela chorava
Eu também
Procurei remédios e ervas
Que lhe fariam bem
Cuidei dela por tanto dias
Ela perdeu o medo de mim
As vezes eu ria
Não sabia o que era ser feliz
Um dia quando eu cheguei
Ela não estava mais lá
Chamei, gritei e achei
Ela já podia voar
Voei junto a ela
Ela estava tão feliz
E enquanto voávamos
Em uma dança harmoniosa
Vi aquela criatura tão formosa
Roubei-lhe um beijo
Era tão grande a emoção
Não contive meu desejo
Ela me olhou assustada
Abriu um sorriso
E voou pra mim
Beijou-me outra vez
E voltou ao paraíso
Meu sonho teve fim
Voei por todos os cantos
Vaguei na luz e nas sombras
Eram sentimentos novos
Amor e saudade
Antes eu só conhecia
Ódio e maldade
Quando minhas esperanças
Já haviam se acabado
E eu conversava com uma pedra
Contando meu caso
Eu chorava
E lembrava do anjo
De quando ela se assustava
Achava que eu era um monstro
Foi quando aconteceu
Minhas penas começaram a cair
E queimavam todas
Eu vi uma fumaça negra sair
E quando eu mais parecia
Um simples humano
Fui tomado novamente de alegria
Ao ver meu anjo voando
Ela desceu até mim
E me pegou pelos braços
E me levou até o céu
E me soltou
Eu não entendia
E sem saber eu caía
Quando vi o chão chegar
E já sentia meus ossos quebrados
Apareceram-me novas asas
Eu sentia que estava salvo
Mas eram asas brancas
Eu fiquei surpreso
Agora eu era um anjo
Senti medo
Ela veio até mim
E disse que ia me levar pra casa
Levou-me até o paraíso
Queria viver comigo
E com minhas novas asas.

Cicero Chaves, 16-05-08

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