domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sombra de Algaroba.

(Foto: "Algaroba" - Elanisia Temóteo)

Sombra de algaroba.

O que eu mais queria algora
Era uma sombra de algaroba
Pra eu armar minha rede
Matar minha sede com o suco
Do mais abundante fruto
Que há por aqui nesse tempo
O cheiro do caju ta no vento
Que sopra e não vem de perto
Corre pra um destino incerto
E eu deitado fico a pensar
Imaginando onde estará
A paz que todo mundo quer tanto.

Inebriado com pensamentos
Querendo saber o destino do vento
Doido por uma carona
Pois talvez lá eu achasse a dona
Que quero pro meu coração
Mas o tempo não ta pra paixão
Ta mais pra uma chuva grossa
Com cara de trovoada
Vem cada nuvem pesada
Surgindo por tras das serra
Até parece que é guerra
Que ta tendo lá no céu
Pois da cada relampo
Acompanhado de trovão
Que faz inté tremer o chão
Chega me da arrepio
O tempo fica tão frio
Que me faz querer um colo

Querer um colo quentinho
E me lembro de mainha
E eu quando era piqueninho
Morria de medo de chuva
Parecia até um bode
Naquelas noites escuras
Luz no céu era curisco
Dento de casa lampião
Mãe pegava minha mão
Eu chega apertava com força
Minha irmão chorava tanto
Que chega ficava roca
Painho contava historia
Pra prender nossa atenção
E só depois disso então
Que a chuva se acabava
Era que nos se deitava
Pra poder dormir tranquilo

E hoje eu me lembro daquilo
Era um tempo bom danado
Devia ter aproveitado mais
Do meu tempo de criança
Hoje só sinto a saudade
E agora essa vontade
De descobrir o que ainda não sei.

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